Amadurecer é um privilégio tardio, mas eficiente

 

A maturidade cedo ou tarde sempre há de se apresentar em nosso caminho, com ela se apresentam também as reflexões e os projetos futuros, pois apesar de nos tornarmos mais contemplativos e menos afoitos, essa fase da existência renova nossa sede por viver.

É nessa fase que percebemos que somos uma soma de acontecimentos, sem os quais não chegaríamos ao patamar que nos encontramos. Ao relembrar de nossa infância e a todos os dias de nossa vida que ficaram atrás, podemos perceber serenamente que, mesmo com toda dor, erros e as dificuldades vivenciadas, a nossa trajetória é que nos tornou aquilo que somos.

A maturidade quando se apresenta torna-nos mais observadores, isto é, procuramos ouvir mais e falar menos, porque aprendemos com as refregas do dia a dia, que a maioria dos acontecimentos, bem como, suas consequências em nossa vida fazem parte de nossas próprias escolhas, visto que ninguém chega aonde chega sem uma razão, por isso nos tornamos mais cuidadosos, principalmente com o que sai de nossa boca.

É no amadurecer que a hombridade repousa sobre nossa consciência e nos permite ver claramente, que em todos os dias de nossa vida, não foi a inocência que nos fez sofrer e perder, mas foi a nossa inteligência, o nosso orgulho e o nosso egoísmo que nos arrastaram para a frieza de seus recintos, a inocência só nos deu e nos fez dar amor.

Nesse caminho que aponta nosso entardecer, percebemos que não são nossos inimigos os que nos perseguem, mas nossas imperfeições exigindo reparo, visto que um ser humano quanto mais esclarecido, maduro e moralmente evoluído for, menos se importa com as provocações e a animosidade alheia, apenas segue seu caminho em busca de luz.

É na maturidade que percebemos que tudo aquilo que calamos quando não devíamos calar, simplesmente calou no profundo de nossa alma enraizando-se nela causando pela nossa vida muito mal estar e dor. Damo-nos conta também, que o ódio é o que causa as feridas mais profundas em nosso ser, tão profundas que exigem determinado tempo para remediá-las.

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Ao longo da vida andamos de templo em templo a procura de Deus, mas no amadurecer percebemos que o Divino não está nas religiões, mas no amor, sem alardes, sem ostentação e sem segundas intenções. É o amor que nos torna melhores espiritualmente, pois a evolução espiritual de uma pessoa não está no fato dela ser vegetariana, vegana ou carnívora, mas em sua humildade e como trata as pessoas e os animais.

Sob as asas do amadurecer passamos a agradecer a vida por ela ter nos batido tanto, pois sem isso ainda estaríamos estacionados em algum lugar do passado terceirizando responsabilidades exclusivamente nossas, pois, foi com as surras da vida que aprendemos a caminhar e que viver não é um passeio, mas uma oportunidade de auto-aperfeiçoamento.

Amadurecidos, não consideramos mais as criticas alheias a nosso respeito como ofensas, mas oportunidades de melhorar a nós mesmos, visto que não conseguimos nos ver como o outro nos vê. Também aprendemos a calar nas discussões, quando a situação não oferece meios para oferecer auxilio, isto é, quando o outro está entorpecido pela vaidade e inebriado de si mesmo.

Infelizmente a maturidade se estabelece praticamente no último terço de nossa vida, porque é preciso vivenciar os desafios presentes nos dois terços anteriores para que ela se consolide. Cabe salientar que amadurecer não é uma regra, mas uma conquista, visto que, um número considerado de pessoas apesar da idade avançada, não conseguem livrarem-se das grades da irresponsabilidade e das birras infanto-juvenis. Quem tem a graça de amadurecer, tanto, precocemente, quanto, tardiamente, percebe que a vida se torna mais leve e instigante, pois, “apesar dos pesares, a vida é bela.”

Texto de Davi Roballo

Jornalista, Poeta, Escritor, Especialista em Comunicação e Marketing \ Especialista em Jornalismo Político

 

 

 

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