A beleza e a graça dos dias normais

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Foto de Muhammad Ruqiyaddin em Unsplash

A cada dia a vida nos dá oportunidade de agradecer ou de reclamar, no entanto, geralmente ficamos com segunda opção, embora sejam dias sazonais e não tão presentes em nossa vida. Os dias mais presentes são os dias normais, tão normais e sem contratempos, que nos esquecemos de agradecer a natureza, o divino e a própria vida, pela tranquilidade e a paz de que se revestem.

É nos dias normais que a doença passa longe da porta de nossa casa, dias em que não precisamos enfrentar a fila de desempregados e muito menos nos falta o alimento sobre a mesa. É nesses dias que a normalidade nos impede de perceber que a vida flui de maneira tranquila e sem contratempos, mas quando algo inesperado interrompe essa rotina, nos damos conta do quanto os dias normais são importantes.

A problemática toda está na busca incessante por novidades que nos move pela vida, caminhamos de uma forma tão acelerada que não percebemos a beleza da simplicidade que nos rodeia. É tanta pressa que muitos acontecimentos importantes e especiais se tornam banais ao passo que deixamos de valorizá-los por terem se transformado em coisas rotineiras. Uma caminhada até a padaria é realizada de uma forma tão automática que não percebemos que o vizinho trocou a cor de sua casa e muito menos que é setembro e os ipês explodiram em beleza tingindo o chão com o colorido de suas flores.

Consumimos o alimento do desjejum como se não tivéssemos tempo de mastigá-los e senti-los tanto na textura quanto no sabor, pois, basta acordarmos para mergulharmos no rol de preocupações e projetos que tomaram conta de nossa mente como um vírus que ataca um organismo sem resistência. Embora nos custe admitir, estamos doentes, perdemos o comando de nós mesmos, ainda que a aparência seja de um autocontrole.

É fato. Não gostamos dos dias normais, desejamos constantemente a adrenalina do espaço profissional competitivo, no qual tentamos de todas as formas, provar a nós mesmos que somos autossuficientes e inabaláveis, quando, na verdade, somos seres tão frágeis, quanto prepotentes. Não bastasse isso ainda competimos no espaço social condizente ao nosso patamar econômico, uma besteira insana, uma vez que estamos todos em um mesmo barco e teremos todos o mesmo destino, ou seja, um dia nossos ossos reluzirão o branco do cálcio, tanto quanto a cal de nossas sepulturas.

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Foto de Lina Trochez no Unsplash

Vivemos em tempos de intensa contradição, pois, nos encontramos vazios e esse vazio, na verdade, está repleto do excesso de tudo. Os dias normais são o cerne de nossa vida, são eles que preenchem com consistência a nosso viver e estão na simples contemplação de um nascer e um pôr do Sol, na flor que apareceu no jardim há bastante tempo abandonado, anunciando que tem como surgir um novo começo e um novo despertar para as coisas belas, que por serem leves não atropelam a vida.

A sabedoria da vida está em ser grato pelos dias normais sem esquecer do quanto se fazem importantes na soma de nosso tempo pela Terra. É nos dias normais que repousam as oportunidades de observar mais atentamente que apesar de tudo a vida é bela e flui conforme a conduzimos através de nossos pensamentos e desejos sinceros.

Os dias normais estão aí para reabastecermos nossas forças e nos prepararmos para as lutas que aparecem ocasionalmente. Dias normais são oásis de nossa vida e se os percebermos mais atentamente veremos que são a maioria de nossos dias, portanto, cada amanhecer se faz uma oportunidade de sermos gratos pela existência dos dias normais, pois, neles repousam nossa paz e nossa tranquilidade.


DR Pequeno© Todos os Direitos Reservados ao Escritor Davi Roballo

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