Troque sua concha frequentemente

Em muitas praias da Terra vive o Caranguejo Ermitão, um tipo de crustáceo que utiliza como casa móvel, conchas abandonadas e trazidas pelas ondas do mar até a areia. Conforme o caranguejo vai crescendo ele precisa ocupar outra concha maior, caso contrário, ficará vulnerável aos predadores, como também a inclemência do Sol.

Ao perceber que sua casa está pequena o Ermitão vaga pela praia procurando outra mais confortável e compatível com seu tamanho, outra saída é acompanhar caranguejos que estejam na mesma situação, mas procurando se livrar de uma concha ao encontrar uma maior. A sobrevivência do Ermitão depende de sua constante mudança, isto é, se não trocar constantemente de concha ele acaba morrendo por uma das circunstâncias citadas.

A adaptação constante se faz necessária também a nós humanos que diariamente somos bombardeados por novas situações e desafios. No campo material vivemos uma explosão tecnológica como jamais vimos, situação que torna necessário um constante aperfeiçoamento profissional para não ficarmos pelo caminho e sermos atropelados pelo rolo compressor do progresso por falta de atualização.

No campo das emoções e da afetividade vamos crescendo, adquirindo experiências, pois, vamos deixando de ser, sendo, isto é, amadurecemos e precisamos nos adaptar as novas circunstâncias de como observamos o mundo, como também temos de aprender a se relacionar com os novos tempos. É certo que não somos o mesmo ser de outrora, se formos avaliar nossos conceitos e preconceitos, perceberemos que já não acreditamos mais em muita coisa que, em outros tempos acreditávamos piamente.

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Foto de Javardh no Unsplash

A vida gira e se movimenta de uma forma que nos obriga a uma nova adaptação e muitas vezes por não aceitarmos isso por birra, preferimos ficar onde estamos acomodados ignorando que precisamos sim mudar de concha, a exemplo do caranguejo Ermitão, crescemos de alguma forma e precisamos adaptar e melhor acomodar nossa nova forma de vida ou de ver o mundo de acordo com nossa transformação.

O grande empecilho das mudanças necessárias em nossa vida está no medo de abandonar nossa zona de conforto. Desejamos o novo, mas o novo nos assusta porque exige desapego de tudo aquilo que ilusoriamente pensamos ser nosso, ou seja, os aspectos possessivos que nos enraízam em situações emocionais de apego, sejam aos bens materiais quanto às pessoas.

O novo tem em si uma exigência não muito desejada por nós, isto é, a responsabilidade em assumir os riscos e as consequências decorrentes de uma nova experiência e de uma escolha. Carregamos em nós o desejo de conhecer e explorar outras paisagens, sentir outras emoções, viver outras realizações profissionais, mas tememos que o avião da mudança despenque do ar, que o navio de novas oportunidades afunde, visto que, somos, em determinados pontos da vida, estagnados pelo medo de tentar, enquanto nossa concha emocional nos sufoca, pois, já se tornou pequena para acomodar nossos anseios.

Optar pela mudança é adentrar no desconhecido que ao passar do tempo será familiar exigindo uma nova mudança, ou seja, a vida é como uma roda de moinho que gira, se movimenta, pois, algo parado é estático e mais próximo da morte do que da vida. Viver é abandonar a rotina morta, os velhos hábitos e costumes ultrapassados adequando-os a uma nova realidade que salta dos olhos e do coração a quem não teme a vida e suas nuanças.

Talvez para acompanhar os passos da vida devêssemos aceitar as transformações que ela nos proporciona a cada desafio enfrentado, no entanto, ante os desafios da existência nos é dado o direito de escolha, ou seja, optar por mudanças ou permanecer na zona de conforto sem o direito de reclamar das consequências advindas do medo de tentar novas oportunidades, novos olhares, visto que, trocar constantemente nossa concha é algo que diz respeito a nós mesmos e ninguém deve ser responsabilizado por nossas escolhas.


DR Pequeno© Todos os Direitos Reservados ao Escritor Davi Roballo

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