A FELICIDADE OPERA SOB A LEI DA PROPORCIONALIDADE E NÃO DA PLENITUDE

Desejamos e tudo fazemos para conquistar a tão almejada felicidade plena, mas nem sequer perguntamos a nós mesmos se suportaríamos uma vida totalmente feliz. Infelizmente esse sonho de plenitude se torna irrealizável ao esbarrar na inconstância e na eterna insatisfação em que vivemos, isto é, não conseguimos viver sem almejar e lutar por algo novo, visto que em nosso ser existe um vazio incomensurável.

Inventamos a escrita e as formas de replicá-las, diminuímos as distâncias dos continentes e países através dos meios de transporte e da comunicação, fomos à Lua, descobrimos os benefícios da penicilina[1], enviamos sondas espaciais para saber mais sobre o Sistema Solar e outras para explorar o que há fora dele, mas nem sequer conseguimos diminuir o espaço que ainda existe entre nós e o outro, como também, não encontramos ainda uma forma viável de preencher nosso vazio existencial.

Foto de Kal Visuals no Unsplash
Foto de Kal Visuals no Unsplash

Todas as descobertas e conquistas humanas parecem muito pouco ao nosso nível de insaciedade. Estamos a todo o momento desejando novidades, o que possuímos nunca é o bastante, desejamos sempre algo maior, algo grande o suficiente para preencher o vazio que nos angustia promovendo a ansiedade que tem nos movido nas trilhas do consumismo da vida moderna, o qual nos convenceu que a felicidade é algo que está à venda nas vitrines.

O consumo que tem nos escravizado encontra respaldo no fato de que o ego nega a todo o momento, o vazio que carregamos em nosso interior, convencendo-nos, que somos grandes por isso temos de buscar constantemente ter o melhor e o maior, gerando assim, essa insatisfação constante que nos move pela vida, transformando-nos em seres explorados e infelizes.

Não percebemos claramente, mas estamos tomados por um imediatismo tão avassalador que toda a conquista por mais dificultosa que seja, quando alcançada perde a graça. Isso ocorre porque não aprendemos a preservar o encanto por aquilo que conquistamos, muito menos, valorizar aquilo que temos e isso inclui pessoas. Se soubéssemos valorizar o que dispomos e se tivéssemos gratidão por isso, certamente os momentos felizes não se esvaeceriam tão de pressa, mas permaneceriam mais tempo conosco.

Reclamamos das dificuldades do viver, mas não viveríamos sem elas, porquanto são elas que nos impulsionam a caminhar e a sonhar. Se a vida fosse fácil como tanto desejamos, certamente traríamos de inventar dificuldades para suportá-la, assim como nos alimentamos de sonhos e esperanças ante as suas reais agruras.

Foto de Aatik Tasneem no Unsplash
Foto de Aatik Tasneem no Unsplash

É inegável, viver é esperar pacientemente pelo pôr do Sol da própria vida, a única certeza que possuímos enquanto vivos, fatalidade, que ninguém, absolutamente ninguém está isento. Para atenuar nossa ansiedade quanto ao nosso próprio fim, comemoramos contraditoriamente mais um ano de vida, quando, na verdade, é menos um, visto que os dias encurtam nossa existência. Na comemoração de um aniversário percebe-se o ego veladamente triunfando ao nos impor mais uma inversão de sentidos.

Falta-nos discernimento para constatar que a vida é temperada com seus altos e baixos, isto é, momentos bons e momentos ruins. É nesse contexto que a felicidade se apresenta dentro de uma proporcionalidade, ou seja, ela é proporcional ao nosso nível de consciência a respeito de nós mesmos e de nossa gratidão por tudo que a vida nos oferece.

Queiramos ou não, a vida transcorre em um perfeito equilíbrio, ela não nos oferece aquilo que não pudermos suportar, o desequilíbrio é um ato produzido por nós mesmos ao usufruir de nosso livre arbítrio ao realizar nossas escolhas. Por isso se torna importante aceitamos quem somos com todas nossas qualidades e defeitos, conscientes de que temos de lutar para nos tornarmos seres humanos melhores.

[1] A descoberta da PENICILINA foi atribuída ao médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming em 1928.

DR Pequeno©  Todos os Direitos Reservados ao Escritor Davi Roballo

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