A IMPACIÊNCIA EM TEMPOS DE INSATISFAÇÃO

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Photo by Bekir Dönmez on Unsplash

O mundo está exigindo cada vez mais de nós, tanto que em cada canto de nosso inconsciente uma apelação nos tem deixado impacientes: “tenha sucesso”. Em uma sociedade competitiva, aquele que não acompanhar a corrida alucinada pelo sucesso corre o risco de acordar no dia seguinte em desvantagem, porquanto ter êxito e status tem sido apresentado como um remédio para todos os males, enquanto estamos adoecendo psiquicamente amparados por um personalismo com precedentes em nossa falta de amor e compreensão amadurecida sobre a vida.

Atualmente são tantas exigências apresentadas pelo mundo moderno e caótico, que estamos exigindo mais, também do outro. Nesse contexto ocorre o absurdo de estarmos cobrando da semente o fruto da árvore que ainda não nasceu, árvore que se encontra ainda no germe aguardando se arraigar à terra e dela construir sua estrutura, isto é, não estamos tendo condições para corresponder aos anseios do mundo e mesmo assim estamos cobrando do outro o que muitas vezes ele não pode nos proporcionar, porquanto está esperando o mesmo de nós, o que confirma a vida egoísta em que estamos vivendo.

Perdemos a noção a respeito de que não basta uma árvore estar formada para produzir flores e frutos, é preciso nas palavras de Osho, que ela esteja com abundância, transbordando vitalidade, ou seja, não podemos em nossa convivência com o outro cobrar o que ele não pode nos dar, como também não tentar dar o que não temos, o que não desenvolvemos, pois, a árvore que não está preparada para um fruto bom com consistência não suporta seu peso, verga e quebra.

Atualmente devido a velocidade da comunicação e das interações, estamos sendo socialmente pressionados para que sejamos felizes imediatamente. Tal pressão imediatista ignora que para isso devemos estar com a alma e o corpo em perfeito equilíbrio, no entanto, a pressa e a ansiedade em que estamos vivendo não condiz com isso, pelo contrário, tem perturbado tanto nossa psique, quanto nosso sistema biológico, uma vez que são sistemas interligados refletindo um, no outro nossas emoções e desgastes. Estamos, na verdade, adoecidos, a modernidade nos adoeceu, estamos acometidos pela doença do EU.

A vida apesar de ser um lapso, em relação à eternidade, deve fluir pacientemente como flui um rio em direção ao oceano sem se importar se deixará de ser rio ao atingir a imensidão do mar. O maior problema existencial de nossa atual época está em ser alguma coisa, em provar a todo o momento que existimos, quando, na verdade, a razão e o exercício maior da vida está em esquecermos paulatinamente de nós mesmos, assim como esqueceram completamente de si algumas pessoas iluminadas que nos antecederam.

Estamos tão agarrados à noção de nós mesmos, que ilusoriamente estamos nos sentindo imortais, praticamente eternos dispondo de muito tempo para errar e correr atrás das futilidades ofertadas de forma alucinatória pelo consumismo exacerbado, que tem nos escravizado e nos jogado nas valas da infelicidade, nas quais quanto mais consumirmos, mais infelizes e insatisfeitos nos tornamos.

Photo by Daiga Ellaby on Unsplash
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A insatisfação que nos tem feito desejar cada vez mais, na esperança de que o ter nos proporcione uma maior visibilidade e com isso uma inexistente superioridade ante o outro. Essa busca vã por ser o que não somos e nem seremos, nos tem colocado na beira do abismo da depressão e outros males advindos da não aceitação de que a verdadeira vida é apenas viver com simplicidade.

Não há como negar que a impaciência anda de mãos dadas com a insatisfação e que anulando uma, a outra deixa de existir. O problema todo está em abandonarmos o espelho que além de mostrar nosso rosto apresenta a falsa idealização daquilo que não somos. O caminho para a paz, para a tranquilidade e a aceitação da vida como ela é, pode estar em reavaliarmos nossos atos e atitudes em relação ao outro, fazendo e desejando a ele aquilo que faríamos por nós mesmos, quem sabe assim, a paciência e a satisfação volte a ser uma verdade em nossa vida.


DR Pequeno©  Todos os Direitos Reservados ao Escritor Davi Roballo

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