Estranho eu

Um dia dei-me conta que por cá estava de volta e em outro corpo flutuava, outro nome, outra identidade, uma profusão em minha meninice confusa se estabeleceu, havia um desconhecido em mim, eu desconhecido de mim mesmo.

Olhava-me no espelho, tocava-me os olhos, o nariz, a boca, observava meus dentes, causava-me espanto minha própria voz, visto que, naquele momento eu era estranho de mim mesmo.

Um outro eu pairava sobre mim, parecia me alcançar, mas quando eu lhe estendia as mãos ele esvaecia no ar e eu não o pude pegar.

Os minutos passaram, a normalidade se restabeleceu, mas em meu ser até hoje resta a certeza de que já fui muitos rostos sendo apenas eu.

Foto de César Abner Martínez Aguilar em Unsplash
Foto de César Abner Martínez Aguilar em Unsplash

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