A ESTRADA DA VIDA

Quando tudo flui perfeitamente bem em nossa vida, concluímos que estamos felizes, visto que, estamos nos sentindo bem. Erroneamente rotulamos a felicidade e a relacionamos somente aos nossos estados de bonança física e material, quando, na verdade, ela é tão somente um estado da alma que aceita e é grata por tudo o que lhe possibilita a vida. Um ser grato é feliz, mesmo que fisicamente esteja doente, visto que, possuir gratidão é entender as nuanças, os reveses e as benesses que a vida nos oferece.

Entre as analogias que o homem usa para poder entender a vida, está compará-la a uma estrada, um percurso que pegamos quando damos entrada na própria vida. Trata-se de um caminho que temos de percorrer até nosso último dia, ocasião em que vamos passar pelas mãos do coveiro, o ser humano que simboliza o fim de nossa jornada.

Nossa estrada é composta de todos os acidentes possíveis, e toda a imprevisibilidade que pode se apresentar em uma viagem que a gente faz seja a pé ou de carro. Cada um de nós já deve ter percorrido vários tipos de estrada. Assim é o caminho de nossa vida, composto de várias formas, se apresentando em diferentes situações. Há dias em que andamos por uma estrada de terra firme e seca, porém, empoeirada, dias em que acolhemos em nosso rosto toda a poeira daqueles que estão à nossa frente. Muitas vezes, isso nos incomoda cobrindo nosso campo de visão, impossibilitando-nos enxergar logo a frente. A poeira aqui, podemos simbolizar como o nosso orgulho, as mágoas e o ciúme.

Quando estamos bem equilibrados na vida, ocasiões em que nada nos abala, estamos então trafegando em uma estrada em pavimentada, com asfalto e seca. Não temos solavancos e a nossa vida vai transcorrendo, vai fluindo numa normalidade, mas, de uma hora para outra se apresentam as descidas, as grandes depressões. Dias em que tudo parece estar indo embora feito uma torrente em dias de tempestade que passam por nossa vida levando, muitas vezes, até mesmo nossa esperança e a nossa fé.

Os dias passam e tudo volta ao normal, encontramos novamente a estrada reta, parte de na nossa vida quando percebemos de longe o que há na linha do horizonte. Dias de Sol, de céu limpo, dias sem problemas, dias em que tudo flui, tudo dá certo, no entanto, esquecemos do essencial, ou seja, da gratidão, gratidão pela vida ter nos conduzido até ali e por neste momento estarmos descansando.

Estamos indo muito bem por nossa estrada e de repente aparece uma subida, dias em que pensamos em desistir de tudo, devido ao esforço exacerbado que temos de fazer para trafegar por estradas íngremes, ocasiões em pensamos não conseguir chegar até o topo, para encontrar novamente uma nova reta.

Os dias passam e voltamos novamente para reta e a tranquilidade típica desse trecho, tudo vai transcorrendo bem até que logo nos deparamos com uma curva bem acentuada, ocasião em que nossa visão se torna muito limitada. Trata-se daqueles dias em que estamos envolvidos por sentimentos nada saudáveis, dias em que a cólera, a raiva e a angústia ofuscam o nosso olhar nos deixando com a nossa visão muito curta, aponto de não enxergarmos quase nada além de nós mesmos.

Os dias passam, as tempestades se dispersam e voltamos a fluir tranquilamente por nossa estrada, totalmente distraídos entramos em estradas esburacadas, com atoleiros nos quais enfrentamos novamente as nossas tempestades, dias em que atolamos, ocasiões em que praticamente sem movimento pensamos em desistir de tudo, porque não conseguimos nos mover, nada muda, tudo que fazemos não tem resultado, parece que nada tem solução. Os atoleiros de nossa estrada representam aqueles dias em que nós temos que nos vestir de paciência e de resignação e esperar a tempestade passar.

Na estrada de nossa vida, assim como, as estradas físicas por onde transitam os homens, existem os pontos de parada, nos quais paramos para abastecer nossas energias. Esses pontos são como aqueles postos de combustível que tem na beira das estradas, nos quais paramos para almoçar, para jantar, fazer lanches e abastecer o nosso veículo. Os pontos de parada de nossa vida, chamam-se felicidade, por isso a felicidade ela não é um ato contínuo em nossa vida, ela é intermitente.

Em cada um de nós soa uma vontade interior em buscar a felicidade por completo, no entanto, é nossa parte egoística que deseja isso, assim como todas as demais coisas, sempre em demasia, pois, o nosso ego não se basta por si mesmo, ele quer tudo, quer abocanhar tudo que tiver por perto, quer todas as atenções para si, deseja todas as benesses da vida, quer tudo aquilo que esteja em nossa volta. O nosso ego é insaciável, quando sem controle, simplesmente toma conta de nós, nos tornando egoístas ao extremo, como também vaidosos sem percebermos seus tentáculos sobre a condução de nossa vida, pela estrada que temos por dever percorrer.

A nossa vida é uma viagem, uma luta que ocorre em nosso interior, uma viagem que vamos explorando tudo que há para além de nosso peito de carne, isto é, as florestas, os Jardins, os desertos, as montanhas, pântanos. É assim que vamos nos conhecendo pouco a pouco e vendo que nós somos um complexo de inúmeras fases e feitos de inúmeras paisagens.

É em nossa estrada que ao nos conhecermos aprendemos a respeitar o outro, porque ele também tem as suas lutas e suas viagens internas. É na estrada da vida que aprendemos que nosso caminho nem sempre vai ser todo tomado de sombras e água fresca, visto que, são pontos de descanso de nossa caminhada.


© Todos os Direitos Reservados ao Escritor Davi Roballo

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